História Mundial — CACD 2009

CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 37 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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No que se refere a aspectos das manifestações culturais da civilização ocidental contemporânea, julgue o item a seguir.

  1. 1.

    Embora essencialmente nacionalista, o Romantismo tornou-se um movimento internacional, em escala europeia e, mesmo, mundial.

    Item anulado pela banca

  2. 2.

    Com variações devidas à passagem do tempo e às individualidades nacionais, o Romantismo, que dominou a Europa, na primeira metade do século XIX, pode ser entendido como um movimento de valorização da subjetividade.

    Item anulado pela banca

  3. 3.

    Entre as décadas finais do século XIX e as iniciais do século XX, como reflexo das transformações estruturais em curso — ou seja, do avanço da industrialização e da sociedade urbana de massa —, verificou-se a perda das referências tradicionais, o que favoreceu a inovação e a experimentação nas artes.

    Item anulado pela banca

  4. 4.

    Considerado uma das importantes inovações artísticas formais surgidas antes da Primeira Guerra Mundial, o Dadaísmo buscava surpreender ou escandalizar os admiradores da arte burguesa convencional.

    Item anulado pela banca

  5. 5.

    Nas décadas de transição entre os séculos XIX e XX, período da grande expansão neocolonialista do imperialismo, a criação artística europeia prosperou vigorosamente, sem abrir espaço a influências provindas da Ásia, da África ou mesmo das Américas.

    Item anulado pela banca

Acerca do processo histórico que desencadeou a I Guerra Mundial, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 6.

    A expansão econômica da Alemanha levou-a a competir com a Inglaterra e com a França.

  2. 7.

    Na França, o governo do presidente Poincaré, acossado por reivindicações nacionalistas, encontrou na guerra uma alternativa para desviar as atenções dos problemas internos.

  3. 8.

    No início, a guerra reforçou a coesão nacional no Império Austro-Húngaro e na Rússia.

  4. 9.

    A ascensão econômica e política do Império Austro-Húngaro levou-o a confrontar os interesses ingleses nos Bálcãs. O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, permitiu que se atribuísse ao imperialismo britânico a responsabilidade pelo clima de tensão regional, e constituiu o marco inicial da guerra.

No final do século XVIII e no início do XIX, após a introdução do bastidor hidráulico de Arkwright, uma onda de avanços técnicos impulsionou a segunda Revolução Industrial, movida a eletricidade, produtos químicos e óleos. Juntas, essas descobertas tornariam as indústrias mais limpas e eficientes do que as fábricas da etapa anterior, movidas a vapor e a carvão. E as novas técnicas alavancariam o comércio de maneira inimaginável. No final do século XIX, barcos a vapor, telégrafos e motores elétricos multiplicavam-se: Arkwright não podia ter previsto nada disso quando patenteou sua máquina fiandeira em 1769. Em um século e meio, o mundo mudou de forma irreversível nas esferas comercial, social e política.

Patrícia S. Daniels e Stephen G. Hyslop. Atlas da História do Mundo. National Geographic, São Paulo: Abril, 2004, p. 242-3 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência e considerando o significado histórico da Revolução Industrial, julgue (C ou E) os itens subsequentes.

  1. 10.

    Entre as transformações irreversíveis mencionadas no texto, produzidas pelo avanço da industrialização, o cenário existente em fins do século XIX assinalava a proibição do trabalho infantil e feminino, a regulamentação da jornada de trabalho e o surgimento dos serviços previdenciários, em meio a uma sociedade que lentamente se urbanizava.

  2. 11.

    O processo de industrialização iniciado na Grã- Bretanha, na segunda metade do século XVIII, acelerou a substituição de antigas formas de produção pelo capitalismo, que se consolidava como sistema econômico dominante, com a atividade fabril suplantando o trabalho doméstico e a crescente prevalência do trabalho assalariado.

  3. 12.

    Infere-se do texto que as incessantes inovações tecnológicas estão presentes no transcurso da Revolução Industrial, o que altera o tipo de força motriz que impulsiona a moderna industrialização e, certamente, contribui para a ampliação da capacidade produtiva e para a expansão do comércio mundial.

  4. 13.

    As novas condições sociais geradas pela Revolução Industrial constituíram fermento de ondas revolucionárias que convulsionaram a Europa, notadamente em 1848.

No que concerne ao domínio de potências coloniais na Ásia, no início do século XX, julgue (C ou E) os próximos itens.

  1. 14.

    A China, civilização milenar e até então com estrutura política própria, foi dividida em protetorados sob domínio das potências ocidentais, ficando o imperador com sua autoridade restrita a Pequim e arredores.

  2. 15.

    O novo poderio militar japonês ficou comprovado na guerra de 1904-1905 contra a Rússia.

  3. 16.

    A tentativa de modernização promovida pela imperatriz Tsen-hi, na Reforma dos Cem Dias, gerou tensões que provocaram sua deposição, tendo a Revolução de 1911, que proclamou a República, posto fim à dinastia Manchu na China.

  4. 17.

    O Japão preservou sua independência ao promover modernização de grande envergadura, assimilando métodos e costumes ocidentais.

Com relação à vitória comunista na China em 1949, julgue (C ou E) os itens seguintes.

  1. 18.

    O Partido Comunista, liderado por Mao Tsé-tung (Mao Zedong), assumiu a vanguarda do movimento revolucionário.

  2. 19.

    A revolução chinesa somente se tornou possível com o apoio ativo, desde 1936, da União Soviética à estratégia de luta armada do Partido Comunista chinês.

  3. 20.

    O movimento revolucionário contou sobretudo com o apoio da classe operária urbana.

  4. 21.

    A despeito da crise ocorrida em 1960, o regime comunista chinês manteve laços políticos estreitos com a União Soviética.

Julgue (C ou E) os itens que se seguem, relativos à Conferência de Yalta, que, realizada em fevereiro de 1945, reuniu Roosevelt, Stalin e Churchill.

  1. 22.

    Roosevelt e Churchill, diante da pressão de Stalin, aceitaram formalmente a criação de uma área de influência soviética na Europa oriental.

  2. 23.

    Em Yalta, houve acordo quanto às zonas de ocupação da Alemanha derrotada.

  3. 24.

    Ao perseguir sua hegemonia na Europa oriental, a URSS buscava proteção contra eventuais ações militares vindas do Ocidente.

  4. 25.

    Stalin buscava uma base territorial para promover, no imediato pós-guerra, ações desestabilizadoras contra governos da Europa ocidental.

No início da década de 1920, a maior parte do que fora antes de 1914 o Império Russo dos czares emergiu intacta como império, mas sob o governo dos bolcheviques e dedicada à construção do socialismo mundial. Foi o único dos antigos impérios dinástico-religiosos a sobreviver à Primeira Guerra Mundial, que despedaçara tanto o Império Otomano — cujo sultão era califa de todos os muçulmanos — quanto o Império Habsburgo, que mantinha relação especial com a Igreja romana.

Eric Hobsbawm. Era dos Extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 362 (com adaptações).

Considerando os aspectos marcantes da história do século XX a que se refere o texto acima, julgue (C ou E) os itens subsequentes.

  1. 26.

    Infere-se do texto que a Revolução de Outubro, cujo ideal era a construção de sociedade diferente e oposta ao capitalismo, rompeu com o passado da Rússia czarista e abdicou do projeto de constituição de uma entidade multiétnica, que abrangeria a totalidade da grande extensão territorial do país.

  2. 27.

    A desintegração do Império Austro-Húngaro, advinda da Primeira Guerra, permitiu o surgimento de novos Estados no leste europeu, o que livrou a região das pretensões expansionistas eslavas e, sobretudo, germânicas.

  3. 28.

    Consequência significativa da Grande Guerra de 1914, o desmoronamento do Império Turco abriu caminho para a nova configuração geopolítica do Oriente Médio, uma das mais estratégicas regiões do mundo contemporâneo.

  4. 29.

    Tensões nacionalistas semelhantes às que levaram ao desmonte de impérios existentes até a Primeira Guerra, a exemplo do Otomano e do Habsburgo, surgiram ou reapareceram em fins dos anos 80 do século passado, quando ocorreram o desmantelamento da União Soviética e o colapso da experiência do socialismo real na Europa do Leste.

O período posterior à Segunda Guerra Mundial foi marcado pela reconstrução europeia e japonesa, pela Guerra Fria, pela descolonização e pela internacionalização da hegemonia americana. Foi, também, um período de enorme crescimento produtivo nos países desenvolvidos. O fato é que os primeiros trinta anos do pós-guerra constituíram uma era única na história contemporânea. A espantosa recuperação do mundo capitalista, quanto ao crescimento econômico e avanços tecnológicos, revolucionou as pautas de consumo e comportamento até então existentes. A interdependência gradual dos mercados, combinando-se com um Estado que assumia tarefas econômicas e sociais, propiciou o que Hobsbawm definiu como “o grande salto”. Era o Estado regulador ou de bem-estar social.

Enrique Serra Padrós. Capitalismo, prosperidade e Estado de bem-estar social. In: Daniel Aarão Reis Filho, Jorge Ferreira e Celeste Zenha (Orgs.). O Século XX: o tempo das crises — revoluções, fascismos e guerras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 229-236 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência e considerando a realidade histórica mundial que se segue à Segunda Guerra Mundial, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 30.

    Dois fatores foram decisivos para que se concretizasse a descolonização afro-asiática: o fortalecimento dos movimentos nacionais pela independência — a despeito de projetos e estratégias distintos que, não raro, defendiam — e o declínio europeu que a guerra evidenciara, sobretudo em relação à perda de poder das antigas potências coloniais.

  2. 31.

    Embora desprovido de base teórica que orientasse suas ações, o Estado do pós-Segunda Guerra, classificado, no texto, como regulador ou de bem-estar social, teve êxito graças ao aumento da produção, da renda e do emprego, enquanto se comprimia a demanda como forma de impedir a volta da inflação.

  3. 32.

    Foram extraordinárias a recuperação europeia e a japonesa na agricultura após 1945: modernização tecnológica e uso intensivo de máquinas aumentaram consideravelmente a produtividade no campo, fato potencializado, no Japão, pela reforma agrária iniciada durante a ocupação norte-americana.

  4. 33.

    Os EUA souberam tirar proveito da expressiva queda na produção industrial e agrícola europeia durante a Segunda Guerra: sua produção industrial triplicou — em 1946, o país já respondia por metade da produção mundial — e a renda per capita mais que duplicou, o que indica o caminho definido, no texto, como “internacionalização da hegemonia americana”.

Seis décadas após o fim da Segunda Guerra, a Aliança do Atlântico, firmada entre a Europa e os Estados Unidos, estava em desalinho. De certo modo, a situação era o resultado previsível do fim da Guerra Fria — embora pouca gente desejasse seu desmantelamento, a organização, em seu estado presente, não fazia muito sentido.

A Aliança fora criada para compensar a incapacidade da Europa Ocidental de se defender sem a ajuda norte-americana. O fracasso contínuo dos governos europeus em constituir a sua própria força militar eficaz foi responsável pela sobrevivência da organização. Dez anos depois da assinatura do Tratado de Maastricht, a União Europeia (UE) estava prestes a estabelecer uma Força de Reação Rápida, composta por 60 mil indivíduos, para realizar intervenções e missões de paz.

Tony Judt. Pós-Guerra: uma história da Europa desde 1945. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p.773-4 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o cenário histórico mundial desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), julgue (C ou E) os itens que se seguem.

  1. 34.

    A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi a aliança militar celebrada entre os EUA e países da Europa Ocidental no contexto da bipolaridade que marcou as relações internacionais no pós-Segunda Guerra e explicitou a condição de superpotências mundiais dos EUA e da URSS.

  2. 35.

    No processo de constituição do bloco europeu, sacramentado em Maastricht, as questões militares foram suprimidas, dada a prioridade máxima conferida à unificação econômica e a seus desdobramentos políticos, sociais e culturais.

  3. 36.

    Sugere-se, no texto, que, decorridos mais de sessenta anos desde o fim da Segunda Guerra, subsistem as condições que motivaram a criação da OTAN.

  4. 37.

    Certamente por cálculo estratégico, mas também para não ampliar os gastos de uma economia em relativo estado de escassez, o governo soviético — sob o comando de Stalin e seus sucessores, até a década de 60 do século passado — optou por não criar estrutura militar semelhante à OTAN, embora mantivesse elevados investimentos na produção de arsenal nuclear e na corrida espacial.

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