Língua Portuguesa — CACD 2004

CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 30 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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Texto I

1  Para entender a atual e multifacetada crise cultural, precisamos adotar uma perspectiva extremamente ampla e analisar asituação no contexto da evolução cultural humana. Os historiadores estão longe de elaborarem uma teoria abrangente da dinâmicacultural, mas parece que todas as civilizações passam por processos cíclicos semelhantes de gênese, crescimento, colapso e desintegração.4  Segundo os antigos filósofos chineses, todas as manifestações da realidade são geradas pela interação dinâmica entre dois pólosde força: o yin e o yang. Heráclito, na Grécia antiga, comparou a ordem do mundo a “um fogo eternamente vivo que se acende eapaga conforme a medida”. Empédocles atribuiu as mudanças no universo ao fluxo e refluxo de duas forças complementares, a que7chamou amor e ódio.  Entre os mais notáveis, mesmo que mais hipotéticos, estudos dessas curvas de ascensão e queda de civilizações, cumpre-noscitar a importante obra A Study of History, de Arnold Toynbee. Os padrões culturais descritos por Toynbee parecem ajustar-se10muito bem à nossa situação atual. Ao observarmos a natureza dos nossos desafios, podemos reconhecer a confluência de diversastransições.  A primeira transição, e talvez a mais profunda, segundo esse autor, deve-se ao lento, relutante, mas inevitável declínio do13patriarcado. A periodicidade associada ao patriarcado é de, pelo menos, três mil anos, e são mínimas as informações de que dispomosacerca das eras pré-patriarcais. Tem sido extremamente difícil entender o poder do patriarcado, por ser ele totalmente preponderante.Ele tem influenciado nossas idéias mais básicas acerca da natureza humana e da nossa relação com o universo — a natureza do “homem”16e a relação “dele” com o universo, na linguagem patriarcal. O patriarcado era o único sistema que, até data recente, não tinha sidoabertamente desafiado em toda a história documentada e cujas doutrinas eram tão universalmente aceitas que pareciam constituir leisda natureza; na verdade, eram, usualmente, apresentadas como tais. Hoje, porém, a desintegração do patriarcado tornou-se evidente.19O movimento feminista é uma das mais fortes correntes culturais dos tempos atuais e terá profundo efeito sobre a futura evoluçãohumana.  A segunda transição, que terá profundo impacto sobre nossa vida, nos é imposta pelo declínio da era do combustível fóssil.22Os combustíveis fósseis têm sido as principais fontes de energia da moderna era industrial e, quando se esgotarem, essa era chegará aofim. Esta década será marcada pela transição da era do combustível fóssil para uma era solar, acionada por energia renovável oriundado sol; essa mudança envolverá transformações radicais nos atuais sistemas econômicos e políticos.25  A terceira transição também está relacionada com valores culturais. Envolve o que hoje é freqüentemente chamado de“mudança de paradigma” — uma mudança profunda no pensamento, percepção e valores que formam determinada visão da realidade.Esse paradigma compreende certo número de idéias e valores que diferem nitidamente dos da Idade Média, valores que estiveram28associados, na cultura ocidental, à revolução científica, ao Iluminismo e à Revolução Industrial. Nesse paradigma, incluem-se a crençade que o método científico é a única abordagem válida do conhecimento e a concepção de que a vida em sociedade é uma lutacompetitiva pela existência. Nas décadas mais recentes, concluiu-se que todas essas idéias e esses valores necessitam de uma revisão31radical.  De acordo com nossa ampla perspectiva da evolução cultural, a atual mudança de paradigma faz parte de um processo maisvasto, de uma flutuação notavelmente regular de sistemas de valores, que pode ser apontada ao longo de toda a civilização ocidental34e na maioria das outras culturas.

Fritjof Capra. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 1982, p. 24-9 (com adaptações).

Julgue os itens a seguir, que se referem à compreensão, à interpretação e aos aspectos gramaticais do texto I.

  1. 1.

    As reescrituras de “a que chamou” (l.7-8) e de “de que dispomos” (l.13) como, respectivamente, que chamou de e que dispomos estão ambas de acordo com a modalidade escrita padrão da língua portuguesa e preservam o sentido original do texto.

  2. 2.

    A oração “que terá profundo impacto sobre nossa vida” (l.21) poderia estar entre parênteses ou entre travessões, mas não sem as vírgulas, porque, neste caso, assumiria um caráter explicativo, o que acarretaria incoerência textual.

  3. 3.

    Na linha 9, a ligação estabelecida entre os adjetivos “notáveis” e “hipotéticos” manter-se-ia coerente com o texto, assim como seria mantida a correção gramatical da frase, caso se substituísse “mesmo que” por embora ou posto que.

  4. 4.

    O pronome “tais” (l.18), sem referência própria, tem seu sentido atribuído pelo termo antecedente “universalmente aceitas” (l.17).

  5. 5.

    Os pronomes relativos “que” (l.16) e “cujas” (l.17) têm como elemento antecedente a mesma expressão nominal.

  6. 6.

    Na linha 16, o pronome “que” exerce a mesma função sintática do termo que o antecede: predicativo do sujeito.

  7. 7.

    Os dados e os argumentos apresentados pelo autor asseguram a objetividade do discurso, incisivo e científico. No entanto, para se eliminarem os traços de subjetividade, seriam necessárias as seguintes alterações: retirada de “parece que” (l.3) e troca de “parecem ajustar-se” (l.10) por ajustam-se.

  8. 8.

    Na linha 6, observa-se que a palavra “ordem” não recebeu acento gráfico, assim como seu plural também não o receberia. Isso ocorre porque as palavras paroxítonas terminadas em -em/-ens não se acentuam, regra da qual a palavra hífens é exceção.

  9. 9.

    A expressão “a atual e multifacetada crise cultural” (l.1), embora imprecisa, tem cada um de seus vocábulos explicitado por meio do desenvolvimento das seguintes idéias: existe uma crise cultural nos dias atuais e essa crise (degradação de valores éticos) é “multifacetada” por se estender a raças diferentes e a diferentes ecossistemas.

  10. 10.

    Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original do texto, se o último parágrafo for reescrito do seguinte modo: Nessa ampla perspectiva de evolução cultural, cuja mudança do atual paradigma, percebe-se um processo mais vasto, com uma flutuação notavelmente regular de sistemas de valores, que pode ser apontado ao longo de toda a civilização ocidental e da maioria das outras culturas.

  11. 11.

    Os vocábulos “dos” e “da” (l.27) provêm ambos da contração da preposição de com outro vocábulo: em “dos”, com um pronome demonstrativo e, em “da”, com um artigo definido.

  12. 12.

    As “transições” apontadas por Toynbee organizam-se diacronicamente de tal forma que são excludentes, e efetivamente ocorreram na ordem em que foram apresentadas.

  13. 13.

    No período “Tem sido extremamente difícil entender o poder do patriarcado, por ser ele totalmente preponderante” (l.14), não se contrariaria o sentido original do texto, se a expressão grifada (“preponderante”) fosse substituída por hegemônico.

  14. 14.

    A relação lógica entre os dois primeiros parágrafos pode assim ser descrita: no segundo parágrafo, enuncia-se a idéia da existência de forças geradoras que, como apontam pensadores de outras épocas, foram responsáveis pelas mudanças cíclicas, elencadas no primeiro parágrafo.

  15. 15.

    A regra de acentuação gráfica ilustrada em “pólos” (l.6) não diz respeito à terminação da palavra, o que também ocorre com os vocábulos pôr (verbo) e ás (substantivo).

Texto II

1  Além de serem interdependentes, identidade ediferença partilham uma importante característica: elas são oresultado de atos de criação lingüística. Isso significa dizer que4não são “elementos” da natureza, que não são essências, quenão são coisas que estejam simplesmente aí, à espera de seremreveladas ou descobertas, respeitadas ou toleradas. A identidade7e a diferença têm de ser ativamente produzidas. Somos nós queas fabricamos no contexto de relações culturais e sociais. Elassão criadas por meio de atos de linguagem.10  Como ato lingüístico, a identidade e a diferença estãosujeitas a certas propriedades que caracterizam a linguagem emgeral. Por exemplo, segundo o lingüista Saussure, a linguagem13é, fundamentalmente, um sistema de diferenças, oselementos — os signos — que constituem uma língua não têmqualquer valor absoluto. Reencontramos, aqui, não a idéia de16diferença como produto, mas como a operação ou o processobásico de funcionamento da língua e, por extensão, deinstituições culturais e sociais, como a identidade, por exemplo.19  Derrida acrescenta a isso a idéia de traço: o signocarrega sempre não apenas o traço daquilo que ele substitui,mas também o traço daquilo que ele não é, ou seja,22precisamente a diferença.  A identidade, tal como a diferença, é uma relaçãosocial. Sua definição — discursiva e lingüística — está sujeita a25vetores de força, a relações de poder. A afirmação daidentidade e a enunciação da diferença traduzem o desejo dosdiferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir28o acesso privilegiado aos bens sociais. O poder de definir aidentidade e de marcar a diferença não pode ser separado dasrelações mais amplas de poder.

Tomaz Tadeu da Silva. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 76 (com adaptações).

Com relação ao texto II, julgue os itens a seguir.

  1. 16.

    De acordo com o texto, identidade e diferença devem ser compreendidas em sua dimensão simbólica, de representação, e analisadas com base nas relações de poder.

  2. 17.

    Atendendo-se às prescrições gramaticais, o segmento “Somos nós que as fabricamos” (l.8) poderia ser substituído por Somos nós quem as fabrica.

  3. 18.

    Ao final do 3.º parágrafo, mantendo-se a coerência e a coesão textuais, poderia ser acrescentado o seguinte trecho: Em outras palavras, é a própria dicotomia um dos meios pelos quais o significado é fixado.

  4. 19.

    No texto, afirma-se que os grupos sociais que estão assimetricamente situados são os que lutam para garantir o acesso aos privilégios, como evidencia o emprego das vírgulas na linha 28.

  5. 20.

    Comprometer-se-ia o sentido original do período situado entre as linhas 3 e 6, caso se substituísse a construção na voz passiva analítica “à espera de serem reveladas ou descobertas, respeitadas ou toleradas” (l.5-6) pela passiva pronominal correspondente.

Texto III

1  A ética contemporânea faz grande alvoroço em tornodas diferenças culturais. Sua concepção do outro tem em vistaessencialmente esse tipo de diferenças. E seu grande ideal é a4coexistência tranqüila das comunidades culturais, religiosas,nacionais etc., a recusa da “exclusão”.  Mas é preciso sustentar que essas diferenças não têm7qualquer interesse para o pensamento, não são mais que aevidente multiplicidade infinita da espécie humana, a qual é tãoflagrante entre mim e meu primo de Lyon como entre a10comunidade xiita do Iraque e os cowboys do Texas.  O embasamento objetivo (ou à maneira dehistoriador) da ética contemporânea é o culturalismo, a13fascinação verdadeiramente turística pela multiplicidade doshábitos, dos costumes, das crenças. E especialmente pelainevitável bizarria das formações imaginárias (religiões,16representações sexuais, formas de encarnação da autoridade...).Sim, o essencial da “objetividade” ética provém de umasociologia vulgar, diretamente herdada do espanto colonial19diante dos selvagens, ficando entendido que os selvagens estãotambém entre nós (drogados dos subúrbios, comunidadesreligiosas, seitas: todo o aparato jornalístico da ameaçadora22alteridade interna), ao que a ética, sem mudar o dispositivo deinvestigação, opõe seu “reconhecimento” e seus trabalhadoressociais.25  Contra essas descrições fúteis (tudo o que nos contamali é uma realidade ao mesmo tempo evidente e por si mesmainconsistente), o pensamento verdadeiro deve afirmar o28seguinte: sendo as diferenças o que há, e toda verdade sendo ovir-a-ser do que ainda não é, as diferenças são precisamente oque toda verdade deposita, ou faz aparecer, como insignificante.31Nenhuma situação concreta é esclarecida em razão do“reconhecimento do outro”. Em toda configuração coletivamoderna, há pessoas de toda parte, que comem34diferentemente, falam múltiplos idiomas, usam diferenteschapéus, praticam diferentes ritos, têm uma relação complicadae variável com a coisa sexual, amam a autoridade ou a37desordem; e assim segue o mundo.

A. Badiou. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995, p. 40-1 (com adaptações).

Com relações às idéias do texto III e a aspectos morfossintáticos, julgue os itens subseqüentes.

  1. 21.

    O texto é composto essencialmente por enunciados categóricos, como evidencia o emprego reiterado de formas verbais no presente do indicativo.

  2. 22.

    O texto informa que a concepção culturalista, cujos fundamentos advêm da sociologia vulgar, postula que o “outro” corresponde ao segmento selvagem, que estará sempre presente como o outro ameaçador, o bárbaro. Assim, para essa corrente, a ética prevalente é ainda a do branco colonizador.

  3. 23.

    Segundo o autor do texto, os guardiães da ética contemporânea explicam toda forma de exclusão com base no determinismo cultural porque idealizam a convivência pacífica entre os povos.

  4. 24.

    Preserva o sentido do texto original e a correção gramatical a seguinte paráfrase do período expresso entre as linhas 25 e 31: Em oposição a essas descrições superficiais, o verdadeiro pensamento deve postular que o que existe são as diferenças e toda a verdade, o vir-a-ser daquilo, que ainda não é. Logo, as diferenças são exatamente o que a verdade toda imprime e faz emergir como sem significado.

  5. 25.

    Atendendo-se à prescrição gramatical e mantendo-se a coerência com as idéias defendidas no texto, o seguinte período poderia dar continuidade ao texto III: Ou seja, a alteridade é simplesmente o que há. Existe, portanto, igual diferença entre, digamos, um camponês chinês e um funcionário norueguês tal qual entre eu e qualquer pessoa, inclusive, eu mesmo.

  6. 26.

    No último parágrafo, o autor sustenta que as diferenças, mais do que ilusórias, são falseadas pela crença de uma verdade estável, resultante do raciocínio silogístico frágil por meio do qual a corrente culturalista concebe a alteridade.

  7. 27.

    A articulação das idéias do texto não permite a inferência de que, no passado, as diferenças culturais eram relegadas pela ética e, no momento, são alardeadas em razão dos freqüentes processos de exclusão social.

  8. 28.

    O trecho “a fascinação (...) imaginárias” (l.12-15) suscita duas observações: há, nele, indicadores da subjetividade do autor — “fascinação verdadeiramente turística” e “inevitável bizarria” —; a inserção da vírgula após “crenças” (l.14), no lugar do ponto, seguida de alteração da inicial maiúscula, atenderia ao que prescreve a norma gramatical.

Texto II

1  Além de serem interdependentes, identidade ediferença partilham uma importante característica: elas são oresultado de atos de criação lingüística. Isso significa dizer que4não são “elementos” da natureza, que não são essências, quenão são coisas que estejam simplesmente aí, à espera de seremreveladas ou descobertas, respeitadas ou toleradas. A identidade7e a diferença têm de ser ativamente produzidas. Somos nós queas fabricamos no contexto de relações culturais e sociais. Elassão criadas por meio de atos de linguagem.10  Como ato lingüístico, a identidade e a diferença estãosujeitas a certas propriedades que caracterizam a linguagem emgeral. Por exemplo, segundo o lingüista Saussure, a linguagem13é, fundamentalmente, um sistema de diferenças, oselementos — os signos — que constituem uma língua não têmqualquer valor absoluto. Reencontramos, aqui, não a idéia de16diferença como produto, mas como a operação ou o processobásico de funcionamento da língua e, por extensão, deinstituições culturais e sociais, como a identidade, por exemplo.19  Derrida acrescenta a isso a idéia de traço: o signocarrega sempre não apenas o traço daquilo que ele substitui,mas também o traço daquilo que ele não é, ou seja,22precisamente a diferença.  A identidade, tal como a diferença, é uma relaçãosocial. Sua definição — discursiva e lingüística — está sujeita a25vetores de força, a relações de poder. A afirmação daidentidade e a enunciação da diferença traduzem o desejo dosdiferentes grupos sociais, assimetricamente situados, de garantir28o acesso privilegiado aos bens sociais. O poder de definir aidentidade e de marcar a diferença não pode ser separado dasrelações mais amplas de poder.

Tomaz Tadeu da Silva. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 76 (com adaptações).

Texto III

1  A ética contemporânea faz grande alvoroço em tornodas diferenças culturais. Sua concepção do outro tem em vistaessencialmente esse tipo de diferenças. E seu grande ideal é a4coexistência tranqüila das comunidades culturais, religiosas,nacionais etc., a recusa da “exclusão”.  Mas é preciso sustentar que essas diferenças não têm7qualquer interesse para o pensamento, não são mais que aevidente multiplicidade infinita da espécie humana, a qual é tãoflagrante entre mim e meu primo de Lyon como entre a10comunidade xiita do Iraque e os cowboys do Texas.  O embasamento objetivo (ou à maneira dehistoriador) da ética contemporânea é o culturalismo, a13fascinação verdadeiramente turística pela multiplicidade doshábitos, dos costumes, das crenças. E especialmente pelainevitável bizarria das formações imaginárias (religiões,16representações sexuais, formas de encarnação da autoridade...).Sim, o essencial da “objetividade” ética provém de umasociologia vulgar, diretamente herdada do espanto colonial19diante dos selvagens, ficando entendido que os selvagens estãotambém entre nós (drogados dos subúrbios, comunidadesreligiosas, seitas: todo o aparato jornalístico da ameaçadora22alteridade interna), ao que a ética, sem mudar o dispositivo deinvestigação, opõe seu “reconhecimento” e seus trabalhadoressociais.25  Contra essas descrições fúteis (tudo o que nos contamali é uma realidade ao mesmo tempo evidente e por si mesmainconsistente), o pensamento verdadeiro deve afirmar o28seguinte: sendo as diferenças o que há, e toda verdade sendo ovir-a-ser do que ainda não é, as diferenças são precisamente oque toda verdade deposita, ou faz aparecer, como insignificante.31Nenhuma situação concreta é esclarecida em razão do“reconhecimento do outro”. Em toda configuração coletivamoderna, há pessoas de toda parte, que comem34diferentemente, falam múltiplos idiomas, usam diferenteschapéus, praticam diferentes ritos, têm uma relação complicadae variável com a coisa sexual, amam a autoridade ou a37desordem; e assim segue o mundo.

A. Badiou. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995, p. 40-1 (com adaptações).

Com relação aos textos II e III, julgue os itens seguintes.

  1. 29.

    No texto II, o autor refuta abordagem em que se examinem a identidade e a diferença culturais dissociadas e como evidências em si, como algo estanque, dado, fixo e natural, como é o enfoque do texto III.

  2. 30.

    No texto II, o autor assume que as relações de poder permeiam a construção de identidade, ao passo que, no texto III, essas relações são sugeridas pelos julgamentos de valor ali presentes, sem que, no entanto, seja ressaltada a relação assimétrica entre os grupos sociais.

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