Língua Portuguesa — CACD 2004
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 30 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seTexto I
Fritjof Capra. O ponto de mutação. São Paulo: Cultrix, 1982, p. 24-9 (com adaptações).
Julgue os itens a seguir, que se referem à compreensão, à interpretação e aos aspectos gramaticais do texto I.
- 1.
As reescrituras de “a que chamou” (l.7-8) e de “de que dispomos” (l.13) como, respectivamente, que chamou de e que dispomos estão ambas de acordo com a modalidade escrita padrão da língua portuguesa e preservam o sentido original do texto.
- 2.
A oração “que terá profundo impacto sobre nossa vida” (l.21) poderia estar entre parênteses ou entre travessões, mas não sem as vírgulas, porque, neste caso, assumiria um caráter explicativo, o que acarretaria incoerência textual.
- 3.
Na linha 9, a ligação estabelecida entre os adjetivos “notáveis” e “hipotéticos” manter-se-ia coerente com o texto, assim como seria mantida a correção gramatical da frase, caso se substituísse “mesmo que” por embora ou posto que.
- 4.
O pronome “tais” (l.18), sem referência própria, tem seu sentido atribuído pelo termo antecedente “universalmente aceitas” (l.17).
- 5.
Os pronomes relativos “que” (l.16) e “cujas” (l.17) têm como elemento antecedente a mesma expressão nominal.
- 6.
Na linha 16, o pronome “que” exerce a mesma função sintática do termo que o antecede: predicativo do sujeito.
- 7.
Os dados e os argumentos apresentados pelo autor asseguram a objetividade do discurso, incisivo e científico. No entanto, para se eliminarem os traços de subjetividade, seriam necessárias as seguintes alterações: retirada de “parece que” (l.3) e troca de “parecem ajustar-se” (l.10) por ajustam-se.
- 8.
Na linha 6, observa-se que a palavra “ordem” não recebeu acento gráfico, assim como seu plural também não o receberia. Isso ocorre porque as palavras paroxítonas terminadas em -em/-ens não se acentuam, regra da qual a palavra hífens é exceção.
- 9.
A expressão “a atual e multifacetada crise cultural” (l.1), embora imprecisa, tem cada um de seus vocábulos explicitado por meio do desenvolvimento das seguintes idéias: existe uma crise cultural nos dias atuais e essa crise (degradação de valores éticos) é “multifacetada” por se estender a raças diferentes e a diferentes ecossistemas.
- 10.
Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original do texto, se o último parágrafo for reescrito do seguinte modo: Nessa ampla perspectiva de evolução cultural, cuja mudança do atual paradigma, percebe-se um processo mais vasto, com uma flutuação notavelmente regular de sistemas de valores, que pode ser apontado ao longo de toda a civilização ocidental e da maioria das outras culturas.
- 11.
Os vocábulos “dos” e “da” (l.27) provêm ambos da contração da preposição de com outro vocábulo: em “dos”, com um pronome demonstrativo e, em “da”, com um artigo definido.
- 12.
As “transições” apontadas por Toynbee organizam-se diacronicamente de tal forma que são excludentes, e efetivamente ocorreram na ordem em que foram apresentadas.
- 13.
No período “Tem sido extremamente difícil entender o poder do patriarcado, por ser ele totalmente preponderante” (l.14), não se contrariaria o sentido original do texto, se a expressão grifada (“preponderante”) fosse substituída por hegemônico.
- 14.
A relação lógica entre os dois primeiros parágrafos pode assim ser descrita: no segundo parágrafo, enuncia-se a idéia da existência de forças geradoras que, como apontam pensadores de outras épocas, foram responsáveis pelas mudanças cíclicas, elencadas no primeiro parágrafo.
- 15.
A regra de acentuação gráfica ilustrada em “pólos” (l.6) não diz respeito à terminação da palavra, o que também ocorre com os vocábulos pôr (verbo) e ás (substantivo).
Texto II
Tomaz Tadeu da Silva. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 76 (com adaptações).
Com relação ao texto II, julgue os itens a seguir.
- 16.
De acordo com o texto, identidade e diferença devem ser compreendidas em sua dimensão simbólica, de representação, e analisadas com base nas relações de poder.
- 17.
Atendendo-se às prescrições gramaticais, o segmento “Somos nós que as fabricamos” (l.8) poderia ser substituído por Somos nós quem as fabrica.
- 18.
Ao final do 3.º parágrafo, mantendo-se a coerência e a coesão textuais, poderia ser acrescentado o seguinte trecho: Em outras palavras, é a própria dicotomia um dos meios pelos quais o significado é fixado.
- 19.
No texto, afirma-se que os grupos sociais que estão assimetricamente situados são os que lutam para garantir o acesso aos privilégios, como evidencia o emprego das vírgulas na linha 28.
- 20.
Comprometer-se-ia o sentido original do período situado entre as linhas 3 e 6, caso se substituísse a construção na voz passiva analítica “à espera de serem reveladas ou descobertas, respeitadas ou toleradas” (l.5-6) pela passiva pronominal correspondente.
Texto III
A. Badiou. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995, p. 40-1 (com adaptações).
Com relações às idéias do texto III e a aspectos morfossintáticos, julgue os itens subseqüentes.
- 21.
O texto é composto essencialmente por enunciados categóricos, como evidencia o emprego reiterado de formas verbais no presente do indicativo.
- 22.
O texto informa que a concepção culturalista, cujos fundamentos advêm da sociologia vulgar, postula que o “outro” corresponde ao segmento selvagem, que estará sempre presente como o outro ameaçador, o bárbaro. Assim, para essa corrente, a ética prevalente é ainda a do branco colonizador.
- 23.
Segundo o autor do texto, os guardiães da ética contemporânea explicam toda forma de exclusão com base no determinismo cultural porque idealizam a convivência pacífica entre os povos.
- 24.
Preserva o sentido do texto original e a correção gramatical a seguinte paráfrase do período expresso entre as linhas 25 e 31: Em oposição a essas descrições superficiais, o verdadeiro pensamento deve postular que o que existe são as diferenças e toda a verdade, o vir-a-ser daquilo, que ainda não é. Logo, as diferenças são exatamente o que a verdade toda imprime e faz emergir como sem significado.
- 25.
Atendendo-se à prescrição gramatical e mantendo-se a coerência com as idéias defendidas no texto, o seguinte período poderia dar continuidade ao texto III: Ou seja, a alteridade é simplesmente o que há. Existe, portanto, igual diferença entre, digamos, um camponês chinês e um funcionário norueguês tal qual entre eu e qualquer pessoa, inclusive, eu mesmo.
- 26.
No último parágrafo, o autor sustenta que as diferenças, mais do que ilusórias, são falseadas pela crença de uma verdade estável, resultante do raciocínio silogístico frágil por meio do qual a corrente culturalista concebe a alteridade.
- 27.
A articulação das idéias do texto não permite a inferência de que, no passado, as diferenças culturais eram relegadas pela ética e, no momento, são alardeadas em razão dos freqüentes processos de exclusão social.
- 28.
O trecho “a fascinação (...) imaginárias” (l.12-15) suscita duas observações: há, nele, indicadores da subjetividade do autor — “fascinação verdadeiramente turística” e “inevitável bizarria” —; a inserção da vírgula após “crenças” (l.14), no lugar do ponto, seguida de alteração da inicial maiúscula, atenderia ao que prescreve a norma gramatical.
Texto II
Tomaz Tadeu da Silva. Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. Petrópolis: Vozes, 2000, p. 76 (com adaptações).
Texto III
A. Badiou. Ética: um ensaio sobre a consciência do mal. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1995, p. 40-1 (com adaptações).
Com relação aos textos II e III, julgue os itens seguintes.
- 29.
No texto II, o autor refuta abordagem em que se examinem a identidade e a diferença culturais dissociadas e como evidências em si, como algo estanque, dado, fixo e natural, como é o enfoque do texto III.
- 30.
No texto II, o autor assume que as relações de poder permeiam a construção de identidade, ao passo que, no texto III, essas relações são sugeridas pelos julgamentos de valor ali presentes, sem que, no entanto, seja ressaltada a relação assimétrica entre os grupos sociais.
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