História Mundial — CACD 2019

IADES · CACD – 1ª fase (TPS) · 44 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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Nas décadas de 1950 e de 1960, registraram-se sucessivos anos de prosperidade material e crescimento econômico. Acerca desse período, conhecido como a Era de Ouro do pós-Segunda Guerra Mundial, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 1.

    A expansão econômica experimentada no mundo capitalista, na década de 1950, não encontrou paralelo no mundo socialista, onde os indicadores de produção continuaram bem abaixo da média mundial até pelo menos a década de 1970.

  2. 2.

    O capitalismo do pós-guerra nos países industrializados pode ser entendido como um amálgama do liberalismo econômico com democracia social, enriquecido pelo empréstimo de experiências de planejamento econômico do mundo socialista.

  3. 3.

    O crescimento econômico das décadas de 1950 e de 1960, registrado no mundo capitalista, deveu-se à eliminação do papel do Estado e à desregulamentação do mercado de trabalho. Como os índices de produção e crescimento eram altos, também cresceram os salários que tornaram possível o consumo em massa.

  4. 4.

    A politização da questão ambiental, por meio da fundação e do fortalecimento de partidos “verdes” na Europa, é contemporânea da primeira crise do petróleo, decorrente da elevação em cerca de 400% dos preços dessa commodity.

Em julho de 1945, aos oito anos de idade, embarquei em um bombardeiro inglês e voamos para a minha Tchecoslováquia natal. Enquanto eu me encontrava em trânsito entre Londres e Praga, Stálin conversava cordialmente em Potsdam com Truman e Churchill. Em público, ainda estávamos todos do mesmo lado. A portas fechadas, contudo, um confronto épico tivera início.

ALBRIGHT, Madeleine. Fascismo: um alerta. São Paulo: Planeta, 2018, p. 90-91, com adaptações.

Com base no fragmento do texto apresentado como referência inicial e considerando acontecimentos marcantes da história contemporânea, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 5.

    O último período do texto anuncia o cenário internacional do pós-Segunda Guerra: as relações internacionais regidas por uma realidade bipolar na qual Washington e Moscou emergiam como centros do poder mundial, à frente de sistemas que se pretendiam antagônicos, o capitalista e o socialista.

  2. 6.

    Entre os diversos conflitos que explodiram em várias regiões, ao longo da Guerra Fria, merecem destaque, pelas próprias repercussões, a Guerra da Coreia, consolidando a divisão da península em dois Estados, e a Guerra do Vietnã, na qual os Estados Unidos da América se envolveram diretamente por muitos anos e da qual resultou a reunificação do país asiático, sob a liderança do norte comunista.

  3. 7.

    A construção dos Estados nacionais, no século 19, teve, no processo de unidade alemã e italiana, duas expressões significativas do papel do nacionalismo naquele contexto da história europeia. A partir das décadas finais desse século, o radicalismo alimentou sonhos expansionistas que contribuíram para a eclosão de duas guerras mundiais no século 20.

  4. 8.

    Última conferência entre os três grandes líderes aliados na Segunda Guerra, Potsdam debateu o futuro da Alemanha derrotada: divisão do país entre os vencedores, completa desnazificação e criação de tribunal para julgar criminosos de guerra.

Ouvimos dizer que, no vosso próprio país, o ópio é proibido com o máximo rigor e severidade: esta é uma forte prova de que sabeis muito bem como ele é danoso para a humanidade. Como não permitis que ele fira vosso próprio país, não deveríeis transferir droga tão prejudicial a outro país, e menos ainda para o Império do Meio. Dos produtos que a China exporta a vossos países, não há um que não seja benéfico para a humanidade. Isso sem mencionar nosso chá e ruibarbo, coisas sem as quais vossos países estrangeiros não poderiam passar um dia. Se nós, do Império Central, vos limitássemos do que é benéfico e vos privássemos de vossos desejos, como poderíeis vós, estrangeiros, existir?

LIN ZEXU. Carta de junho de 1839, Cantão, para sua Majestade a Rainha Vitória da Grã-Bretanha e da Irlanda, Londres. 2 f. Sobre comércio de ópio na China, traduzido, com adaptações

No que se refere aos conflitos conhecidos como as Guerras do Ópio (1839-1842 e 1856-1860), julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 9.

    Apenas com a derrota na segunda Guerra do Ópio, a China viu-se obrigada a permitir a instalação de representações estrangeiras residentes na respectiva capital imperial.

  2. 10.

    No período entre as hostilidades, britânicos e franceses auxiliaram a dinastia Qing a derrotar um movimento rebelde chinês messiânico de inspiração cristã, conhecido como Reino Celestial Taiping, sediado em Nanquim.

    Item anulado pela banca

  3. 11.

    As Guerras do Ópio foram produto direto da competição entre as potências coloniais europeias e os Estados Unidos que disputavam entre si concessões do governo de Pequim.

  4. 12.

    A incontestável vitória britânica na primeira Guerra do Ópio foi facilitada pelo controle inglês sobre o porto de Hong Kong.

No que se refere ao contexto da Revolução Mexicana, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 13.

    O líder camponês Emiliano Zapata apoiou significativamente a Revolução Mexicana comandando o Exército Libertador do Sul. A sua participação nas lutas revolucionárias encerrou-se com a chegada de Francisco Madero à presidência do país e com a concretização das reformas relativas à propriedade das terras.

  2. 14.

    A Lei Lerdo desempenhou relevante papel na escalada das tensões políticas no México a partir de meados do século 19. No estado porfirista, contudo, as políticas de ampliação legal da propriedade privada atenuaram o empobrecimento da população do campo.

  3. 15.

    Apesar do significativo crescimento da economia mexicana durante o Porfiriato, os índices de pobreza permaneciam muito elevados, fator que está na origem de uma série de manifestações de insatisfação social.

  4. 16.

    Uma das principais consequências da Revolução Mexicana foi a promulgação da Constituição de 1917. É correto caracterizá-la como anticlerical, nacionalista e atenta aos direitos dos trabalhadores.

No que concerne ao pensamento econômico francês no século 18, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 17.

    Os fisiocratas franceses, conhecidos como Les Economistes, defendiam que a lei econômica maior, em qualquer governo, deveria ser resumida no lema “laissez faire, laissez passer”, que sintetizava sua compreensão fundamental de que o comércio, como fonte de toda a riqueza, deveria ser livre da intervenção governamental.

  2. 18.

    O modelo proposto por François Quesnay, no respectivo Tableau Economique, ilustrava como interagiam, por meio das trocas comerciais – ou seja, operações de compra e venda –, as classes proprietária (donos de terras), produtiva (trabalhadores da agricultura) e estéril (de artesãos e mercadores).

  3. 19.

    De acordo com os teóricos da fisiocracia, os Estados deveriam paulatinamente ser extintos, já que não passam de entrave desnecessário ao livre comércio de bens.

  4. 20.

    Ao assumir o posto de controlador-geral das finanças na França, em 1774, o economista Anne Robert Jacques Turgot procurou reduzir o descontrole do gasto público, inclusive por meio da redução do número de sinecuras e da concessão de novas pensões estatais. Contudo, foi sua política liberalizante do comércio que causou maior resistência dos demais ministros e de especuladores do mercado. Essas críticas, associadas às péssimas colheitas de 1775, minaram a confiança de Luís XVI e acabariam por inviabilizar a continuidade de Turgot à frente da economia francesa.

Na segunda metade do século 19, iniciou-se a ocupação da chamada “última fronteira”, com corridas do ouro responsáveis pelo estabelecimento de uma série de novas cidades e pela consequente expansão do território dos Estados Unidos da América (EUA). Com relação ao processo citado, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 21.

    A expansão para o Oeste encerrou-se por volta de 1890, quando os últimos pioneiros participaram da construção de novas cidades para fugir da pobreza urbana dos respectivos territórios de origem.

  2. 22.

    As incursões no continente ao longo do século 19 lançaram as bases da Doutrina Monroe, deflagrada no início do século 20 com o objetivo de orientar as relações dos EUA com a América Latina.

  3. 23.

    Ocupações do Grande Deserto suscitadas pela febre do ouro ampliaram os conflitos entre garimpeiros e populações ameríndias, que então viviam sobretudo da caça aos búfalos. As disputas levaram a diversos massacres, que continuaram a ocorrer até o fim do século 19, quando a instituição de reservas pacificou definitivamente as relações entre as partes em conflito.

  4. 24.

    A expansão territorial foi beneficiada pela implementação de uma série de estradas de ferro, que garantiram a circulação de indivíduos e bens nos vastos espaços que separavam os centros urbanos.

Propor uma filiação, ou parentesco, entre a revolução hispânica e a revolução francesa é inevitável. A revolução francesa não apenas abalou o equilíbrio político europeu, mas foi também um fenômeno social, político e cultural tão novo, que dominou – como modelo ou como objeto de rechaço – todo o debate político daquela época.

GUERRA,François-Xavier. Modernidad e independencias: ensayos sobre las revoluciones hispánicas. Madrid: Encuentro, 2009, p. 30, com adaptações.

Acerca das revoluções mencionadas no texto, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 25.

    Na sequência dos eventos de 1789, intelectuais franceses procuraram difundir os próprios ideários pela Europa, estimulando a convocação de Cortes revolucionárias. Embora a recepção inicial dessas propostas tenha sido positiva em regiões como a Espanha, ela também foi encarada com hostilidade por diversos setores, sobretudo após a execução de Luís XVI e o início da perseguição religiosa.

  2. 26.

    As Juntas formadas em diversas regiões da América espanhola, no contexto revolucionário, foram instituídas pelos cabildos municipais. Reunindo representantes das elites locais, aderiram, na forma de um juramento de fidelidade, a Fernando VII. De modo geral, fundamentaram a respectiva resistência ao jugo napoleônico segundo referenciais inscritos na tradição da monarquia católica espanhola.

  3. 27.

    No âmbito dos direitos individuais e de propriedade, a Constituição de Cádiz incorporava elementos das constituições francesas de 1791, 1793 e 1795.

  4. 28.

    O caráter tradicional das sociedades espanhola e hispanoamericana levou a que a circulação de notícias a respeito dos acontecimentos revolucionários do fim do século 18 e início do século 19 fosse quase nula.

Nas condições da época, a insurreição consistiu, em grande parte, em uma redistribuição das linguagens, não sendo apenas um caso no qual foi necessário recorrer às armas. Presos como se estivessem sob o fogo de Paráclito, a diversos níveis, os colonizados davam por si a falar várias línguas, em vez de uma única.

MBEMBE, Achille. Sair da Grande Noite: ensaio sobre a África descolonizada. Luanda: Edições Mulemba, 2014, p. 19-20, com adaptações.

Considerando o texto apresentado, a respeito da produção intelectual africana anticolonialista, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 29.

    Apesar de não ser africano, Frantz Fanon exerceu grande influência sobre os pensadores do continente, sobretudo no que toca à análise das consequências psicológicas da colonização.

  2. 30.

    Apesar da importante produção intelectual que antecedeu os movimentos de independência africana, os principais pensadores políticos do continente foram alijados dos movimentos anticoloniais e não puderam participar dos primeiros governos constituídos nos próprios países.

  3. 31.

    Antes mesmo da conquista da independência da maioria dos países africanos, o ganense Kwame Nkrumah, já defendia a ideia de que se encontrassem soluções africanas para o continente e que esse objetivo somente seria alcançado por meio da união dos países africanos.

  4. 32.

    Para Agostinho Neto, Portugal era apenas o elo mais fraco de uma cadeia mais ampla de dominação dos povos, fundamentada nas estruturas de poder dos principais centros capitalistas europeus.

A respeito do panorama das artes no século 20, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 33.

    Artistas como Paul Klee e Wassily Kandinsky foram relevantes no processo de consolidação da figura do artista contemporâneo. Entre os elementos mais importantes do movimento conceitual em que se inseriam, é correto destacar a soberania do ato criador como expressão da interioridade do indivíduo, a originalidade das obras de arte como traço distintivo dessa interioridade e a recusa de um diálogo imediato entre os artistas e os respectivos públicos.

  2. 34.

    Uma das características marcantes foi o uso de objetos do cotidiano, que passaram a ser investidos de interesse artístico. Nesse contexto, Marcel Duchamp despontou como um dos principais defensores de um critério de beleza alinhado aos interesses do mercado econômico.

  3. 35.

    A atribuição de beleza às máquinas é um fenômeno relativamente recente. No século 20, assistiu-se à emergência de uma estética industrial, no interior da qual as funcionalidades técnicas previstas no design associaram-se à estetização das formas, de modo a suscitar admiração e interesse público.

  4. 36.

    Um elemento significativo no cenário das artes do início do século 20, sobretudo na França, foi a imprensa cultural. As revistas ilustradas frequentemente difundiam rótulos estilísticos como o “cubismo”.

Os Estados Unidos da América (EUA) foram forjados no crisol do Iluminismo. Nenhuma outra nação foi tão marcada por sua influência. Nossos ideais de liberdade e igualdade, o soar das “verdades evidentes” da Declaração de Independência e os tons mesurados da Constituição e do Federalista, todos ecoam a linguagem do Iluminismo e expressam suas mais profundas convicções a respeito da vida política e dos direitos naturais da humanidade.

STALOFF, Darren. Hamilton, Adams, Jefferson: the politics of Enlightenment and the American Founding. Nova York: Hill and Wang, 2005, p. 3, traduzido, com adaptações.

No que se refere ao tema precedente e a seu contexto histórico, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 37.

    A presidência de John Adams foi marcada por um período de estabilidade política derivada de um amplo pacto entre federalistas e republicanos-democráticos após a decisão de George Washington de não concorrer às eleições de 1796.

  2. 38.

    Os princípios jeffersonianos relativos ao agrarismo, à democracia participativa e ao ativismo revolucionário foram elementos constitutivos do partido republicano-democrático que governou os EUA nas primeiras três décadas do século 19.

  3. 39.

    O primeiro secretário do Tesouro americano, Alexander Hamilton, refutou princípios liberais e fisiocratas de sua era e defendeu a participação estatal na economia com o objetivo de proteger a indústria nascente e garantir receitas governamentais.

  4. 40.

    Apesar dos princípios consagrados na Declaração de Independência e na Constituição dos Estados Unidos, apenas a partir de 1801, com a eleição de Thomas Jefferson, ganham corpo as questões relativas à maior democratização da política americana e à busca de princípios igualitários, como a expansão do direito ao voto no sentido do sufrágio universal de homens brancos.

Acerca do conjunto de ideias que contribuíram para a formação do chamado Concerto Europeu, julgue (C ou E) os itens a seguir.

  1. 41.

    O projeto de paz proposto pelo Czar Alexandre I, anos antes do término das guerras napoleônicas, partia da adoção generalizada de governos constitucionais com base em instituições liberais.

  2. 42.

    O período de paz desfrutado pela Europa continental após as guerras napoleônicas pode ser atribuído à criação de uma ordem continental fundamentada em um cálculo realista de equilíbrio de poder, a despeito dos sistemas políticos e de valores dos estados europeus que o conceberam.

  3. 43.

    Entre os artigos para a paz perpétua entre os estados, propostos por Immanuel Kant, que mais influenciaram as potências europeias reunidas em Viena em 1814, destacam-se a meta de reduzir e eliminar gradativamente os exércitos permanentes e o princípio de que nenhum Estado deve imiscuir-se pela força na constituição e no governo de outro Estado.

  4. 44.

    Na primeira década do século 19, a Grã-Bretanha do primeiro-ministro William Pitt definiu, como seu principal objetivo de política internacional para a Europa do pós-guerra, a realização de intervenções militares no continente sempre que necessário, de forma a evitar novos movimentos revolucionários.

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