Língua Portuguesa — CACD 2012
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 58 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seMário de Andrade. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 13, 97 e 109.
Considerando os aspectos linguísticos e a estrutura da narrativa nos fragmentos apresentados, extraídos da obra Macunaíma, o Herói Sem Nenhum Caráter, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 1.
Ambos os fragmentos apresentam a estrutura textual típica da narrativa, recurso empregado pelo autor como forma de manter a coerência dos fatos narrados.
- 2.
Observa-se, nos fragmentos apresentados, que o narrador onisciente do primeiro fragmento não se faz presente no segundo.
- 3.
Em ambos os fragmentos, encontram-se traços de subjetividade: no primeiro, do narrador; no segundo, do autor da carta.
- 4.
Na linha 12 do fragmento I, a oração “que tinha”, sintática e semanticamente dispensável para o texto, caracteriza-se por ter um pronome relativo como sujeito sintático.
Padre Antônio Vieira. Sermão da sexagésima. In: J. Verdasca (Org. e coord.). Sermões escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2006, p. 190-2.
Com relação à análise linguística de passagens do texto, julgue o item a seguir.
- 5.
No primeiro e no segundo parágrafos, o autor utiliza a coordenação para ligar orações substantivas introduzidas pelo conectivo subordinativo “se”.
- 6.
No trecho “A mim, senhores, mo parece que Demócrito não ria” (l.17-18), evidenciam-se três características estilísticas da linguagem textual: obviedade, barbarismo e concisão.
- 7.
O autor explora as possibilidades semânticas da palavra “mundo” no trecho “É certo, porém, que ele ria neste mundo e que se ria deste mundo” (l.14-15), em que o vocábulo tem como referente, em ambas as ocorrências, “mundos imaginados” (l.14).
- 8.
Constitui proposta de reescrita coerente e gramaticalmente correta para o trecho “Confesso que a primeira propriedade do racional é o risível: e digo que a maior impropriedade da razão é o riso” (l.5-7) a seguinte: O que eu confesso é que a primeira propriedade do racional é o risível; e o que eu digo é que a maior impropriedade da razão é o riso.
- 9.
Dada a dependência sintático-semântica do trecho “porque a matéria de que eram compostos os seus mundos imaginados, toda era de riso” (l.13-14) à expressão “com razão” (l.13), o período iniciado à linha 13 poderia ser reescrito, sem prejuízo do sentido ou da correção gramatical do texto, da seguinte forma: Eis a razão por que a matéria que eram compostos os seus mundos imaginados era toda de riso.
Mário de Andrade. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 13, 97 e 109.
Considerando a coerência, a progressão temática e as marcas de referencialidade do fragmento II do texto, julgue (C ou E) os seguintes itens.
- 10.
Na expressão “voz espúria” (l.10), o adjetivo empregado tem, no contexto, sentido de não castiça.
- 11.
O conteúdo semântico do fragmento II é suficiente para que dele se infira quem não conhecia as icamiabas no trecho “não sois conhecidas como ‘icamiabas’” (l.9-10): os mesmos indivíduos que as chamavam de Amazonas.
- 12.
O advérbio “assim” (l.12 e 14) reporta-se, em ambas as ocorrências no fragmento, a “apelativo de Amazonas” (l.11), termo que pode substituir esse advérbio nas duas linhas, sem prejuízo para as estruturas sintáticas ou os sentidos do texto.
- 13.
A formalidade da linguagem, na carta endereçada às icamiabas, é adequada ao texto e coerente com as características do remetente, “Macunaíma Imperator”, e das destinatárias, as icamiabas.
Frederico Pernambucano de Mello. Estrelas de couro — a estética do cangaço. São Paulo: Escrituras, 2010, p. 48-9 (com adaptações).
Com relação ao texto, julgue o item a seguir.
- 14.
No texto, a “superfluidade” (l.31), que caracteriza o traje do cangaceiro, contrapõe-se à “raiz pastoril” (l.15) do traje.
- 15.
No texto, a “superfluidade” (l.31), que caracteriza o traje do cangaceiro, contrapõe-se ao adorno com “recortes multicores” (l.23-24).
- 16.
No texto, a “superfluidade” (l.31), que caracteriza o traje do cangaceiro, contrapõe-se à “funcionalidade” (l.18) da vestimenta do vaqueiro.
- 17.
No texto, a “superfluidade” (l.31), que caracteriza o traje do cangaceiro, contrapõe-se à “visibilidade” (l.24) do combatente.
- 18.
No texto, a “superfluidade” (l.31), que caracteriza o traje do cangaceiro, contrapõe-se à “implicação mística” (l.32) de seus acessórios.
Frederico Pernambucano de Mello. Estrelas de couro — a estética do cangaço. São Paulo: Escrituras, 2010, p. 48-9 (com adaptações).
Em relação às ideias do texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 19.
Depreende-se da leitura do texto que Clarival Valladares iniciou o estudo sobre o significado das vestimentas e do comportamento dos cangaceiros a partir de 1934, quando ocorreram os sinais de que o cangaço havia deixado de ser uma ameaça ao poder local.
- 20.
Pelas relações estabelecidas no texto, conclui-se que a cultura árabe influenciou a cultura brasileira do sertão, tendo deixado marcas em acessórios de que se valeram os cangaceiros brasileiros.
- 21.
Dos trechos “Lampião à solta” e “Sinhô Pereira arribado para os lados de Minas Gerais” depreende-se que a mobilidade dos cangaceiros devia-se ao exercício da missão mística de ampliação dos limites geográficos dos estados brasileiros.
- 22.
Pela análise da vestimenta do cangaceiro, pretende-se demonstrar o caráter profundamente místico desse combatente “dependente ao sobrenatural”, que contrasta com o vaqueiro, caracterizado pelo “teto limitador da funcionalidade”, sem qualquer anseio místico ou submissão às crenças relacionadas ao sobrenatural.
Álvaro Lins. Os mortos de sobrecasaca. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1963, p. 27.
Com relação ao fragmento de texto acima, julgue o item a seguir.
- 23.
No último período do texto, a referência do sujeito elíptico da oração “contudo nela se diluindo de tal modo” (l.7-8) recupera o termo “um escritor” (l.6), o que possibilitaria, mantendo-se a mesma referência, a seguinte estrutura alternativa: que, contudo, se dilui de tal modo.
- 24.
No último período do fragmento de texto apresentado, o autor indica, por meio de relação de causa e efeito, o modo como se opera o distanciamento de um escritor ao produzir uma obra literária, ou seja, o processo por meio do qual o enunciador se torna “uma figura escondida por detrás das suas criações” (l.4-5).
- 25.
O fato de o texto expressar uma generalização a respeito da produção de obras literárias justifica o tom assertivo e imperativo predominante no texto, evidenciado, por exemplo, no emprego do predicado “É certo” (l.1).
- 26.
Pelos elementos textuais presentes no texto, infere-se que o autor considera as escritoras — os “temperamentos” (l.3) femininos — incapazes de produzir obras em que seja atendido o postulado de distanciamento entre autor e conteúdo expresso na obra literária.
- 27.
Sem alteração da informação expressa no primeiro período do texto, a expressão adverbial “de modo geral” (l.1) poderia ser deslocada, com as vírgulas, para imediatamente depois da locução verbal “deve ser” (l.1-2) ou, eliminando-se as vírgulas que a isolam, para imediatamente após o núcleo nominal “personalidade” (l.2).
Clarice Lispector. Para não esquecer. São Paulo: Círculo do Livro, 1981, p. 106-7.
No que concerne a aspectos gramaticais do texto acima, julgue (C ou E) os itens a seguir.
- 28.
A inadequação no emprego do pronome de tratamento em “Emeretíssimo, dá licença de eu fumar?” (l.4) é sanada pela escritora no período “Obrigada, Vossa Eminência.” (l.5), o que evidencia o deliberado desrespeito a padrões normativos da língua portuguesa.
- 29.
No período “Mas é assim mesmo que se vive: perdida no tempo e no espaço.” (l.1-2), o particípio do verbo perder, empregado em estrutura de indeterminação do sujeito da oração, poderia, conforme regra de concordância nominal, estar na forma masculina, regra da qual, no entanto, a obra literária prescinde, dada a liberdade que preside a criação artística.
- 30.
Da combinação inusitada do verbo morrer, flexionado no pretérito perfeito do indicativo, com a expressão adverbial “desde pequena” (l.8) infere-se uma compreensão da morte diferente da que estaria implícita caso tivesse sido empregada a locução verbal Venho morrendo.
- 31.
Na frase “Dou, sim senhora, eu mesmo fumo cachimbo.” (l.4-5), a escolha vocabular e o emprego do advérbio de afirmação seguido, sem pausa, do vocativo “senhora” caracterizam a fala formal de um juiz, a qual contrasta com o conteúdo intimista e o coloquialismo, predominantes no texto.
Clarice Lispector. Carta a Tania Lispector Kaufmann. In: Olga Borelli. Clarice Lispector: esboço para um possível retrato. 2.ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981, p. 45.
Julgue (C ou E) os itens seguintes, relativos ao fragmento de texto acima, extraído de carta escrita por Clarisse Lispector.
- 32.
Infere-se do texto que Clarice Lispector postergou a leitura da obra de Virginia Woolf devido à sua dificuldade em desculpar suicidas, que, segundo ela, são pessoas que manifestam fraqueza ao interromper um dever existencial, ainda que um “horrível dever”.
Item anulado pela banca
- 33.
No terceiro período do texto, a oração iniciada pelo conector “quando” (l.4) e a iniciada pelo conector “porque” (l.4) indicam, respectivamente, as circunstâncias de tempo e causa relacionadas ao fato expresso na oração “que não conhecia Joyce nem Virginia Woolf nem Proust” (l.3-4).
- 34.
A organização sintática do trecho “Não gosto quando dizem que tenho afinidades com Virginia Woolf (só li, aliás, depois de escrever o meu primeiro livro)” (l.6-7), em que são desprezadas prescrições de regência verbal, caracteriza registro linguístico adequado à escrita de uma carta informal, como é o caso do texto apresentado.
Item anulado pela banca
- 35.
Admite-se como forma alternativa de reescrita da expressão coloquial “o diabo do homem só faltou me chamar de” (l.4-5) a estrutura só faltou o diabo do homem me chamar de, na qual o verbo faltar é empregado como impessoal e, portanto, integra uma oração sem sujeito.
Sônia Roncador. Poéticas do empobrecimento: a escrita derradeira de Clarice. São Paulo: Annablume, 2002, p. 135-6 (com adaptações).
Julgue o item a seguir, a respeito do texto acima.
- 36.
Privilegiando-se a concisão textual e sem prejuízo para o sentido original do texto, a oração adjetiva “que produziu nos últimos anos de sua vida” (l.1-2) poderia ser substituída tanto pelo adjetivo derradeiras quanto pelo adjetivo longevas.
- 37.
A expressão “decoros literários” (l.14) significa, no texto, o mesmo que aceitação de mitos e de pressupostos literários arcaicos que impedem o avanço no emprego de elementos estéticos.
- 38.
Sugere-se, no texto, que é na obra Relatório da Coisa que Clarice Lispector passa a incorporar à narrativa dados autobiográficos como estratégia de desmistificação do preceito de autonomia da ficção.
- 39.
O verbo parecer (l.10) poderia, corretamente, ter sido flexionado na 3.ª pessoa do plural, dado que o núcleo do sujeito da oração em que ele se insere é ampliado com elementos apositivos.
- 40.
A ambiguidade presente no trecho “produzir um efeito de ‘mau gosto’, também descrito pela autora como um ‘susto de constrangimento’” (l.16-17) seria desfeita com a seguinte reescrita: produzir, conforme descrito pela autora, um efeito de “mau gosto” ou um “susto de constrangimento”.
Padre Antônio Vieira. Sermão da sexagésima. In: J. Verdasca (Org. e coord.). Sermões escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2006, p. 190-2.
Considerando a estrutura textual, a consistência argumentativa e as estruturas linguísticas do texto, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 41.
Com o propósito explícito de tratar da “questão de se o mundo é mais digno de riso ou de pranto” (l.1-2), o autor argumenta em favor da conclusão de que o mundo, devido aos seus “ordinários desconcertos” (l.24-25), é mais digno de riso.
- 42.
No período “Que Demócrito não risse, eu o provo” (l.20), o verbo provar complementa-se com uma estrutura em forma de objeto direto pleonástico, com uma oração servindo de referente para um pronome.
- 43.
No período “Demócrito ria sempre: logo não ria.” (l.20-21), a “consequência” (l.21), à primeira vista ilógica, sustenta-se no emprego do advérbio “sempre”, o que se constata pelas explicações que se seguem no mesmo parágrafo.
Item anulado pela banca
- 44.
O verbo rir, empregado com regências diferentes no trecho “É certo, porém, que ele ria neste mundo e que se ria deste mundo” (l.14-15), tem, em ambas as ocorrências, o sentido de tratar ou considerar (alguém ou algo) com desdém; ridicularizar; zombar.
Item anulado pela banca
Mário de Andrade. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008, p. 13, 97 e 109.
Considerando os aspectos morfossintáticos e semânticos dos fragmentos apresentados, julgue o item a seguir.
- 45.
Na linha 5 do fragmento I, destaca-se, por meio da partícula expletiva “é que”, o sujeito simples da oração absoluta “Essa criança é que chamaram de Macunaíma”.
- 46.
No fragmento II, os termos “o endereço” (l.5) e “a literatura desta missiva” (l.6), no trecho “Não pouco vos surpreenderá, por certo, o endereço e a literatura desta missiva” (l.5-6), são complementos do verbo surpreender, assim como “vos”, que exerce a função de objeto indireto desse verbo.
- 47.
No fragmento I, o período iniciado em “Si o incitavam a falar” (l.7) inclui uma frase em discurso direto como complemento de verbo dicendi, seguida de oração coordenada, que se inicia em outra linha do texto.
- 48.
Os trechos “filho do medo da noite” (l.2) e “Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba” (l.10-11) exemplificam a linguagem conotativa que caracteriza o fragmento I.
- 49.
No fragmento II, o autor da carta às icamiabas utiliza com ironia as expressões “voz espúria” (l.10) e “dislates da erudição” (l.14) para mostrar a posição degradante dessas guerreiras em face do epíteto que o homem branco lhes atribuiu.
Nelson Rodrigues. A frase. In: A cabra vadia – novas confissões. Rio de Janeiro: Agir, 2007, p. 267-70 (com adaptações).
Considerando os aspectos linguísticos e estilísticos do texto, bem como a argumentação nele desenvolvida, julgue (C ou E) os próximos itens.
- 50.
O cronista ironiza tanto a causa dos estudantes quanto a decisão das autoridades, como comprovam os trechos “O paletó e a gravata eram agora ‘O inimigo’” (l.14) e “O rádio e a TV pediam paletós e gravatas, assim como quem pede remédios salvadores” (l.16).
- 51.
A letra inicial maiúscula e as aspas na palavra “Resistência” (l.22) são recursos estilísticos empregados para destacar a atitude insurgente dos estudantes, comparada, no texto, à dos franceses na Segunda Guerra.
- 52.
O trecho “a pequena causa, ou o motivo irrelevante, pode produzir um grande efeito” (l.3-4) poderia ser reescrito, sem prejuízo para a correção gramatical ou para os sentidos do texto, da seguinte forma: a causa pouco significativa, ou o pequeno motivo, pode provocar um resultado de extensa repercussão.
- 53.
No segundo e no quarto parágrafos do texto, emprega-se o presente do indicativo com a mesma finalidade: a de realçar fatos ocorridos no passado.
Gilka Machado. Lépida e leve. In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Cátedra/INL, 1978, p. 179.
Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do poema acima, julgue o item a seguir.
- 54.
Na segunda estrofe, a linguagem poética é intensificada por metáforas representadas, entre outras formas, por palavras compostas por justaposição.
- 55.
Na segunda estrofe, a língua é considerada uma força que, antagônica ao amor, sintetiza o bem e o mal.
- 56.
Nos versos 4 e 16, o conector “como” introduz estruturas com sentido comparativo e conformativo, respectivamente.
- 57.
Na primeira estrofe, tanto “ave” (v.6) quanto “aranha” (v.8) referem-se a “Língua” (v.5).
- 58.
Em “que me vestes quase” (v.3), “que me enleias” (v.5) e em “Amo-te as sugestões gloriosas e funestas” (v.15), os pronomes oblíquos átonos estão empregados com valor possessivo.
Quer responder e ver o gabarito comentado?
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