História Mundial — CACD 2012
CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 44 itens · julgue cada item como Certo ou Errado
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Cadastre-seA Belle Époque terminou subitamente em 28 de junho de 1914, dia do assassinato de Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo jovem sérvio Gavrilo Princip. Aquele ato de terror perpetrado em Sarajevo, nos turbulentos Bálcãs, empurrou as potências para a guerra geral que ninguém desejava.
Demétrio Magnoli e Elaine Senise Barbosa. Liberdade versus igualdade. In: O mundo em desordem (1914-1945), v. I. Rio de Janeiro: Record, 2011, p. 21-2 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o contexto histórico que antecedeu a Primeira Grande Guerra, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 1.
Comprovada a participação direta do governo sérvio no assassinato do sucessor ao trono austro-húngaro, o governo da Áustria radicalizou sua posição em relação ao de Belgrado. Ao apresentar seu ultimato à Sérvia, a Áustria demonstrou, ainda que de maneira sutil, apoio ao movimento nacionalista eslavo na região balcânica.
- 2.
Ao término da Primeira Guerra, além de sofrer as consequências dos milhões de mortos e inválidos, a Europa viu-se devedora dos EUA, tendo perdido a primazia na economia mundial e, ainda, assistiu a manifestações de muitas de suas colônias, que reivindicavam a alteração de suas relações com as metrópoles.
- 3.
A Belle Époque, destruída pela guerra, é definida como o espírito que prevaleceu na Europa antes de 1914, compartilhado por todos os estratos sociais e assentado nos sonhos otimistas e grandiosos provocados pela prosperidade e pelos avanços tecnológicos da Segunda Revolução Industrial.
- 4.
Entre os contextos de crise que impeliram as potências para a guerra, destacam-se a criação da Entente Cordiale anglo-francesa e a reação alemã à sua criação, manifestada nas pretensões de Berlim em relação ao Marrocos, em claro sinal de que a Alemanha desejava barrar a expansão francesa no norte da África.
Considerando as negociações sobre armamentos estratégicos, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 5.
As negociações entre os EUA e a União Soviética na década de 70 do século XX resultaram no estabelecimento de determinados limites para a produção de armas estratégicas.
Item anulado pela banca
- 6.
O Plano Salt, acrônimo de Strategic Arms Limitation Talks, representou o marco inicial das negociações entre soviéticos, de um lado, e norte-americanos e britânicos, de outro.
Item anulado pela banca
- 7.
O Tratado de Não Proliferação Nuclear, cujo objetivo era evitar que os países não signatários desenvolvessem armas nucleares, foi um dos acordos decorrentes do avanço das negociações entabuladas no contexto do Plano Salt.
- 8.
A década de 80 do século XX, marcada pela dedicação das superpotências ao manejo dos conflitos existentes na periferia do sistema internacional, iniciou-se, diferentemente da anterior, sob o signo da estabilidade, resultante da superação da corrida armamentista e da eliminação dos riscos da disseminação nuclear.
A história mundial contemporânea, iniciada no último terço do século XVIII, apresenta-se como uma sucessão de sistemas mundiais intercalados por fases de transição e configuração de novas lideranças. Assim, de 1776 (ano da independência dos EUA e da publicação de A Riqueza das Nações, de Adam Smith) a 1890, a Pax Britânica, embasada na Revolução Industrial e regulada pelo liberalismo, deu início ao mundo dominado pelas potências anglo-saxônicas.
Paulo G. Fagundes Visentini e Analúcia Danilevicz Pereira. História do mundo contemporâneo. Petrópolis: Vozes, 2008, p. (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando aspectos da história econômica mundial, julgue (C ou E) os itens seguintes.
- 9.
Maior potência industrial do século XIX, a Inglaterra, que optou pela mediação política de autoridades locais em suas colônias, não se beneficiou da corrida imperialista na mesma proporção alcançada por seus concorrentes diretos, como a Alemanha.
- 10.
Em A Riqueza das Nações, Adam Smith critica o mercantilismo, alinhando-se, nesse aspecto, com os fisiocratas franceses, mas deles se afastando ao sustentar que ao Estado compete conduzir e proteger a economia nacional na disputa por mercados com outros países.
- 11.
O processo de colonização vigente nas décadas finais do século XIX integra um contexto de expansão do sistema produtivo, do qual resultam a busca de mercados consumidores, de matéria-prima industrial e de bases estratégicas, bem como o surgimento de áreas propícias ao investimento de capitais e ao recebimento dos contingentes populacionais excedentes das metrópoles.
- 12.
Ao longo do século XIX, nas regiões economicamente mais dinâmicas, capitalismo e sociedade industrial consolidaram-se em meio a um cenário de crescente urbanização, de formação e expansão do mercado de trabalho assalariado, de uma economia cada vez mais permeada por bens industrializados, de concentração e centralização da riqueza e dos capitais em grandes empresas, e de um mercado em franco processo de mundialização.
Com relação ao colonialismo europeu no século XIX, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 13.
O novo colonialismo europeu, identificado a partir do último terço do século XIX, retomou a corrida por possessões coloniais, motivado pelos mesmos interesses e inspirado pelas mesmas dinâmicas políticas, religiosas, civilizacionais e econômicas que marcaram o século XVI.
- 14.
A disputa entre Portugal e Bélgica pelas riquezas minerais de Angola exemplifica a influência determinante exercida pela corrida colonial sobre a política continental, com a qual se envolveram as potências europeias no período de 1871 a 1890.
- 15.
A Conferência de Berlim, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, consagrou o princípio da ocupação declarada de áreas em litígio, garantindo a soberania ao país que ocupava o território.
- 16.
A corrida colonialista do final do século XIX, para a qual serve de exemplo de ordem econômica o capitalismo industrial, necessitado, naquele momento, de ampliar o fornecimento de matérias-primas e de aumentar o mercado consumidor, resultou da conjunção de vários processos, entre os quais se incluem fatores de natureza estratégica e ideológica.
A respeito da Revolução Industrial na Europa e de fatos a ela relacionados, julgue (C ou E) os itens subsequentes.
- 17.
O retardo do desenvolvimento da economia industrial nos países da Europa Continental, comparativamente ao da Grã-Bretanha, deveu-se à precária cultura liberal empreendedora e às dificuldades econômicas advindas de conflitos armados.
- 18.
A disseminação da economia industrial na Europa Continental foi facilitada pelos grandes fluxos de investimentos internacionais que surgiram dos excedentes de capitais, com o objetivo de boas oportunidades de negócios, o que permitiu a injeção de capitais no sistema financeiro europeu e de tecnologias no processo de industrialização.
- 19.
A expansão da Revolução Industrial na Europa favoreceu o surgimento de movimentos políticos e sociais, alguns deles relacionados ao rápido processo de urbanização que se verificou no continente a partir do século XIX.
- 20.
A economia industrial no continente europeu foi dinamizada, entre outros importantes fatores, pela inexistência, até a década de 60 do século XIX, de políticas protecionistas de comércio exterior.
O Romantismo representa uma crítica à modernidade, isto é, à civilização capitalista moderna, em nome de valores e ideais do passado (pré-capitalista, pré-moderno). Podemos dizer que, desde sua origem, o Romantismo é iluminado pela dupla luz da estrela da revolta e do “sol negro da melancolia” (Nerval). O elemento central dessa estrutura — da qual dependem todos os outros — é uma contradição, ou oposição, entre dois sistemas de valor: os do Romantismo e os da realidade social dita moderna.
M. Löwy e R. Sayre. Revolta e melancolia — o romantismo na contramão da modernidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995, p. 34-5 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência e considerando as questões por ele suscitadas, julgue o item a seguir.
- 21.
Apoiado em valores filosóficos de afirmação da subjetividade e do idealismo, o Romantismo promoveu uma estética de equilíbrio e racionalidade.
- 22.
O Romantismo celebrou esteticamente a urbanidade e os avanços tecnológicos alcançados com a industrialização europeia verificada durante o século XIX.
- 23.
O Romantismo reunia a revolta contra estruturas estéticas e filosóficas medievais e a melancolia diante dos fundamentos ideológicos da modernidade, ou seja, combinava alienação com fetichismo da mercadoria.
- 24.
O Romantismo apoiou no idealismo, na imaginação e na fuga para o exótico, entre outras bases estéticas, a sua reação crítica à realidade capitalista.
- 25.
Movimento que apregoava a alienação, o Romantismo desvinculou-se das transformações sociais pelas quais a Europa passou durante o século XIX.
A ideia de uma União Europeia, de uma forma ou de outra, não era nova. O século XIX havia experimentado na Europa Central uma variedade de uniões alfandegárias, com diferentes graus de sucesso, e, mesmo antes da Primeira Guerra Mundial, ocasionalmente, falava-se com idealismo a respeito da noção de que o futuro da Europa estava na convergência das diversas partes. A própria Primeira Guerra Mundial, longe de dissipar essas visões otimistas, parece ter-lhes conferido mais vigor: conforme Aristide Briand insistia, chegara o momento de superar rivalidades passadas e pensar e falar como europeu, sentir-se europeu.
Tony Judt. Pós-guerra: uma história da Europa desde 1945. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 166 (com adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando a temática por ele abordada, julgue (C ou E) os itens que se seguem.
- 26.
Com o indispensável apoio do governo francês, representado por Raymond Poincaré e Aristide Briand, o britânico Lloyd George propôs, alguns anos depois de terminada a Primeira Guerra, um plano para a estabilização política e a reconstrução da Europa, no qual não se admitia a moratória do pagamento das reparações ditadas pelo Tratado de Versalhes.
- 27.
Ao lançar o Comecon (Conselho de Ajuda Mútua), o governo de Moscou pretendia estabelecer um mercado comum que integrasse as economias da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e dos países do Leste Europeu, estando essa decisão inserida no contexto de confronto ideológico, que se seguiu ao fim da Segunda Guerra Mundial, e de reconstrução econômica da Europa Ocidental, capitaneada pelo Plano Marshall.
- 28.
Exemplo de êxito daquilo que o texto identifica como “variedade de uniões alfandegárias”, o Zollverein foi o passo inicial e decisivo para o processo de unificação política alemã. Liderada pela burguesia austríaca, a crescente integração econômica dos Estados germânicos isolou a aristocracia junker e deu suporte à estratégia bismarckiana.
- 29.
A assinatura de tratados como o de Roma e o de Maastricht resultou de um longo processo de integração europeia, iniciado no pós-Segunda Guerra, tendo o fim da Guerra Fria possibilitado, dada a remoção dos obstáculos geopolíticos que impunham limites à expansão do espaço comunitário, um novo ciclo de ampliação do número de países integrantes da União Europeia.
Em 1945, o sistema econômico-financeiro mundial apresentava-se profundamente desorganizado. Elementos de continuidade misturavam-se às evidentes rupturas provocadas pela guerra, tanto com referência aos diferentes agentes públicos e privados, Estados e empresas, quanto à hierarquia e à natureza das relações que eles mantinham entre si. Sob a influência predominante dos EUA, e também em grande parte sob a égide da Organização das Nações Unidas (ONU), erguia-se uma nova ordem mundial, que, baseada em um liberalismo renovado, perpassava tanto a disciplina monetária quanto as regras do comércio internacional. Em um mundo politicamente dividido e economicamente heterogêneo, a reconstrução liberal não conseguiu derrubar todas as barreiras que teimavam em dividir a economia mundial.
Serge Berstein e Pierre Milza. História do Século XX. V. 2: 1945-1973 – o mundo entre a guerra e a paz. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007, p. 14 (com adaptações).
Tendo o texto como referência inicial e considerando o quadro da economia mundial nas duas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, julgue o item a seguir.
- 30.
Em face da destruição causada pelo conflito, a reconstrução dos países industrializados da Europa e da Ásia, a exemplo do que ocorreu no Japão, foi dificultada em razão de o potencial industrial em 1945 ser inferior ao existente no início da guerra.
- 31.
O sistema monetário internacional, definido em Bretton Woods para fazer frente à profunda desorganização econômico-financeira do mundo em 1945 e cuja divisa-chave foi o dólar norte-americano, foi administrado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), instituição especialmente criada para tal fim.
- 32.
Brasil, México e Argentina, identificados como economias periféricas, encontraram, no pós-1945, em relação ao desenvolvimento industrial, mais obstáculos que os demais países devido a dois fatores básicos: irrelevante acumulação de divisas durante o conflito e reduzida participação nas exportações mundiais.
- 33.
O Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), criado para refrear a tendência de extrema liberalização das relações econômicas no pós-1945, apoia-se na defesa de práticas protecionistas bem como tende a flexibilizar o trato de atitudes comerciais como o dumping.
- 34.
Dado o poderio militar e político da URSS, conquistado em razão do considerável avanço tecnológico, do dinamismo das economias satélites do Leste Europeu e de sua expressiva participação nas exportações globais, os países socialistas desempenharam um novo papel no plano econômico.
Acerca da política internacional do período pós-Primeira Guerra Mundial, julgue o item a seguir.
- 35.
Expressão do idealismo que contagiou as relações internacionais no período pós-Primeira Guerra Mundial, o Pacto Briand-Kellogg prescreveu a renúncia à guerra como instrumento das políticas nacionais.
- 36.
Em 1926, o Brasil, que pleiteava um assento permanente no Conselho da Liga das Nações, retirou-se dessa organização em razão da inclusão da Alemanha, por acreditar que esse país não estava ainda plenamente reabilitado e não dispunha das condições necessárias para atuar em favor da garantia da paz mundial.
- 37.
A Liga das Nações foi criada com o objetivo de solucionar pacificamente controvérsias e o de promover a cooperação internacional para o desenvolvimento econômico.
- 38.
Os Tratados de Locarno, de 1925, além de permitirem a admissão da Alemanha na Liga das Nações, garantiram-lhe as fronteiras e favoreceram a reintegração da Renânia ao território alemão.
- 39.
O Protocolo de Genebra, negociado e aprovado pela Liga das Nações, regulamentou a segurança coletiva, instituiu o arbitramento compulsório sobre temas de desarmamento e regulou, até a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as relações entre as potências no que se refere a temas de segurança.
A respeito da ordem internacional decorrente do Congresso de Viena, encerrado em 1815, julgue o item a seguir.
- 40.
Entre 1815 e 1848, embora divergissem em determinados aspectos relacionados à ordem, as grandes potências europeias, fazendo uso do direito de intervenção coletiva, agiram em concerto, do que decorre a expressão Concerto de Viena.
- 41.
O princípio geral do equilíbrio entre as potências europeias valia tanto para a geopolítica quanto para a esfera econômica do continente.
- 42.
Uma das principais características da ordem que se construiu a partir de 1815 e perdurou até o final do século XIX foi a ausência de guerras entre as grandes potências europeias.
- 43.
A partir de 1815, a ordem internacional, uma espécie de condomínio de poder pautado pela força, favoreceu o equilíbrio e a estabilidade no continente europeu ao longo do século XIX.
- 44.
A Ordem de Viena definiu um arranjo de poder com dois eixos claramente delimitados: o formado por Inglaterra e Prússia, consideradas potências liberais, e o constituído por Áustria, França e Rússia, consideradas potências conservadoras.
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