Língua Portuguesa — CACD 2003

CESPE/UnB · CACD – 1ª fase (TPS) · 30 itens · julgue cada item como Certo ou Errado

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Texto I

PODER

Etimologia. Sobre as formas verbais latinas potes, ‘pode’, potui, “pude”, potēram, “pudera”, potēro, ‘poderei’, potens, potentis, ‘aquele que pode’ etc. (todos do verbo lat. posse, ‘poder, ter o poder de, ser capaz de’), forma-se o infinitivo lat. vulg. potēre, ‘poder, ter o poder de, ser capaz de’, que conviveu com o lat. cláss. posse até suplantá-lo por volta do séc. VIII d.C. Potēre é a origem do port. esp. poder, do século XII-XIII, it. potere, fr. pouvoir, ambos do séc. XII, ing. power, de 1297-1325, que já se registram como substantivo nessas datas. O vocábulo al. Macht traduz o port. esp. poder e demais vernacularizações.

Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo - Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica do Brasil. Publicações Ltda. 1977, p. 9.001 (com adaptações).

Julgue os itens subseqüentes, relativos ao sentido e às estruturas morfossintática, semântica e discursiva do texto I.

  1. 1.

    “Potēre” e “poder” têm descrição fonética muito semelhante, destacando-se as seguintes mudanças: a consoante surda /t/ do primeiro vocábulo se sonoriza no segundo; a vogal final do primeiro sofre queda.

  2. 2.

    O vocábulo alemão “Macht” não tem a mesma origem do vocábulo português “poder”, mas tem o mesmo significado.

  3. 3.

    Segundo o verbete de enciclopédia acima, o vocábulo “poder” existe na língua portuguesa desde o século XII e sua forma primitiva foi o vocábulo do latim clássico “posse”.

  4. 4.

    Está em conformidade com a significação proposta no verbete e está expressa de acordo com as normas da língua escrita culta do português a seguinte asserção: Os vocábulos latinos posse e potēre têm o mesmo significado, mas pertencem a variantes lingüísticas diferentes, respectivamente, clássica e vulgar.

  5. 5.

    Têm a mesma origem que a do português “poder” os vocábulos equivalentes do italiano, do francês e do inglês, respectivamente, “potere”, “pouvoir” e “power”.

Texto III

1  Nas relações de poder, o indivíduo A determina aconduta do indivíduo B, na medida em que B desejaevitar as sanções que aquele empregaria se B tentasse4evitar o cumprimento de suas prescrições e ordens. Novínculo de influência, a manifestação de A sobre B, isentade sanções diretas, varia desde a autoridade, o controle, a7liderança até a ameaça de sanções, enquanto que acoerção se apresenta no caso limite — o poder — em todaa sua amplitude.10  O fenômeno do poder e das relações de comandoe obediência não se exaure no fato político. Ao contrário,o poder político se enquadra no campo mais amplo do13poder social: as probabilidades de impor a outrem aprópria vontade (de um indivíduo, de uma associação, deum grupo ou de um quadro administrativo) alcançam16todos os setores da vida coletiva. No espectro das relaçõesquantitativas, separam-se setores particulares. Poder —desde o controle até a liderança, desde a influência até a19autoridade — pode manifestar-se mesmo na atividadeartística, tanto quanto na economia.

Idem, ibidem (com adaptações).

Com referência à compreensão e à interpretação do texto III, julgue os itens a seguir.

  1. 6.

    Está implícito no último período do texto que as atividades artística e econômica são comparáveis quanto à manifestação de poder, mas apenas parcialmente: à primeira associam-se liderança e autoridade; à segunda, controle e influência.

  2. 7.

    No primeiro parágrafo, o autor já explicita que vai tratar das relações entre os diversos sinônimos de “poder”, os quais se apresentam, no texto, da seguinte maneira: Vínculos entre A e B | Sanções indiretas | Sanções diretas influência | autoridade e liderança | controle poder | ameaça | coerção

  3. 8.

    Ao trecho “O fenômeno do poder e das relações de comando e obediência não se exaure no fato político. Ao contrário” (l.10-11) segue-se uma explanação sobre como o fenômeno é restrito em outros campos.

  4. 9.

    Na linha 5, a vírgula colocada antes de “isenta”, empregada para dar ênfase, pode ser retirada sem que isso acarrete mudanças significativas na estrutura e no sentido da frase.

  5. 10.

    No contexto do primeiro parágrafo, entende-se que os pronomes, “aquele” (l.3) e “suas” (l.4) referem-se a “indivíduo A” (l.1).

Mistura lingüística

1  Muita gente, em vários países, fala um pouco de inglês tododia sem perceber. Sem contar o “informatiquês”, cujos verbetes —como megabyte, browser, hard disk, software — são expressões do4mais puro inglês, muitas outras palavras do dia-a-dia de brasileiros,franceses, alemães e, principalmente, japoneses têm origem noidioma bretão. Futebol (football), sanduíche (sandwich) e deletar7(verbo criado a partir de to delete, suprimir) são exemplosconhecidos de anglicismo (uso de expressões em inglês ouoriginadas dele) no português. Os alemães apertam o resetknopf10(reset button ou botão de reset) para iniciar o computador. E osfranceses, conhecidos por sua ojeriza a estrangeirismos,despedem-se dos colegas de trabalho na sexta-feira dizendo13bon weekend.  A situação do japonês é particularmente curiosa. Estima-seque cerca de vinte mil palavras do vocabulário moderno tenham16origem no inglês. Sorvete é aisukurimu, de ice cream. Arcondicionado é eacon, de air conditioner. E banheiro deixou de serobenjyo para se tornar toiré, de toillet.19  A história dessa imposição lingüística certamente despertaanimosidades. Na Índia, por exemplo, onde o inglês é uma daslínguas oficiais, ele não é muito ouvido nas ruas. Falar inglês ainda22lembra um passado de opressão.

Galileu, fev./2002, p. 37 (com adaptações).

Julgue os itens a seguir, que se referem às idéias e às estruturas do texto acima.

  1. 11.

    Constata-se que a expressão inglesa “reset button” (l.10) está presente tanto no vocábulo alemão como na expressão portuguesa, com a substituição de um de seus componentes.

  2. 12.

    A seleção de argumentos e do vocabulário mostra o grau de engajamento do autor em face do assunto: paralelamente às funções referencial e metalingüística, que veiculam informações objetivas, há marcadores lingüísticos que deixam entrever elementos subjetivos.

  3. 13.

    O autor organiza sintaticamente o período “Sem contar (...) bretão” (l.2-6) a partir da oposição regra/exceção, em que a regra é o “mais puro inglês”, e a exceção, o inglês impuro ou degenerado.

  4. 14.

    De acordo com a norma padrão do português, é correta a substituição de “cujos verbetes” (l.2) por do qual os verbetes.

  5. 15.

    O autor empregou “bon weekend” (l.13) como um exemplo elucidativo da idéia de que os franceses têm “ojeriza a estrangeirismos” (l.11).

Texto III

1  Nas relações de poder, o indivíduo A determina aconduta do indivíduo B, na medida em que B desejaevitar as sanções que aquele empregaria se B tentasse4evitar o cumprimento de suas prescrições e ordens. Novínculo de influência, a manifestação de A sobre B, isentade sanções diretas, varia desde a autoridade, o controle, a7liderança até a ameaça de sanções, enquanto que acoerção se apresenta no caso limite — o poder — em todaa sua amplitude.10  O fenômeno do poder e das relações de comandoe obediência não se exaure no fato político. Ao contrário,o poder político se enquadra no campo mais amplo do13poder social: as probabilidades de impor a outrem aprópria vontade (de um indivíduo, de uma associação, deum grupo ou de um quadro administrativo) alcançam16todos os setores da vida coletiva. No espectro das relaçõesquantitativas, separam-se setores particulares. Poder —desde o controle até a liderança, desde a influência até a19autoridade — pode manifestar-se mesmo na atividadeartística, tanto quanto na economia.

Idem, ibidem (com adaptações).

Com relação aos aspectos gramaticais do texto III, julgue os itens a seguir.

  1. 16.

    Na linha 3, o vocábulo “que” refere-se a “sanções”.

  2. 17.

    Os travessões empregados nas linhas 8 e 17-19 podem ser corretamente substituídos por vírgulas ou parênteses.

  3. 18.

    A presença do pronome em “separam-se” (l.17) indica que o sujeito desse verbo é indeterminado.

  4. 19.

    O conector “na medida em que” (l.2) apresenta uma forma variável também aceita na escrita padrão culta: a medida em que.

  5. 20.

    Caso se vá além das convenções ortográficas, ao se analisar o vocábulo “exaure” (l.11), verifica-se que ele tem algo em comum com excelente, exato e exercício: os dois primeiros fonemas.

Texto I

PODER

Etimologia. Sobre as formas verbais latinas potes, ‘pode’, potui, “pude”, potēram, “pudera”, potēro, ‘poderei’, potens, potentis, ‘aquele que pode’ etc. (todos do verbo lat. posse, ‘poder, ter o poder de, ser capaz de’), forma-se o infinitivo lat. vulg. potēre, ‘poder, ter o poder de, ser capaz de’, que conviveu com o lat. cláss. posse até suplantá-lo por volta do séc. VIII d.C. Potēre é a origem do port. esp. poder, do século XII-XIII, it. potere, fr. pouvoir, ambos do séc. XII, ing. power, de 1297-1325, que já se registram como substantivo nessas datas. O vocábulo al. Macht traduz o port. esp. poder e demais vernacularizações.

Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo - Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica do Brasil. Publicações Ltda. 1977, p. 9.001 (com adaptações).

Texto II

1  Conceituação de poder. “O conceito fundamental da ciênciasocial é o poder, no mesmo sentido em que a energia é o conceitofundamental da física” — afirma, em livro hoje clássico, o4filósofo inglês Bertrand Russel. Se não há dúvida acerca daimportância do fato poder, nem de sua expressão nas ciênciassociais, as dificuldades são inúmeras, para definir-lhe a natureza7e a substância. O próprio termo poder encontra impugnadoresentre sociólogos e cientistas políticos, que chegam arecomendar-lhe o banimento científico; e não raro se emprega,10com aproximada sinonímia, nas expressões influência, controle,autoridade, liderança, comando. Prevalece, todavia, nos estudosrecentes, apenas o parentesco entre os dois primeiros termos —13poder e influência —, reservadas as outras categorias parafenômenos específicos, embora conexos ao conceito básico, queé o poder.

Idem, ibidem.

A respeito da compreensão e da interpretação dos textos I e II e dos recursos semânticos e discursivos neles utilizados, julgue os itens que se seguem.

  1. 21.

    Entende-se, no texto II, em “Se não há dúvida acerca da importância do fato poder, nem de sua expressão nas ciências sociais” (l.4-6), que o vocábulo “Se” estabelece uma condição para que a asserção que vem a seguir ocorra.

  2. 22.

    Ambos os textos veiculam a informação de que, em cada uma das várias línguas citadas, o termo “poder” (verbo e nome) tem sinônimo(s) que pode(m) substituí-lo.

  3. 23.

    Entende-se, nos dois últimos períodos do texto II, que, em estudos anteriores, vários sinônimos de “poder” eram empregados em seu lugar, mas esses vocábulos tiveram o sentido especializado, exceto um, que mantém o parentesco.

  4. 24.

    Demonstra adequação à escrita culta padrão e bom entendimento do sentido expresso no trecho “O próprio (...) comando” (l.7-11) do texto II a seguinte frase: Sociólogos e cientistas políticos recomendam a abolição do termo poder, impugnando-o e empregando, em seu lugar, sinônimos aproximados.

  5. 25.

    O vocábulo “poder” e seus sinônimos, conforme apresentados no texto II, mantêm os dois sentidos do infinitivo potēre, apresentados no texto I, como, por exemplo, em O gerente pode (= tem o poder de) dispensar o funcionário e em Ele pode (= é capaz de) escrever com a mão esquerda.

Texto II

1  Conceituação de poder. “O conceito fundamental da ciênciasocial é o poder, no mesmo sentido em que a energia é o conceitofundamental da física” — afirma, em livro hoje clássico, o4filósofo inglês Bertrand Russel. Se não há dúvida acerca daimportância do fato poder, nem de sua expressão nas ciênciassociais, as dificuldades são inúmeras, para definir-lhe a natureza7e a substância. O próprio termo poder encontra impugnadoresentre sociólogos e cientistas políticos, que chegam arecomendar-lhe o banimento científico; e não raro se emprega,10com aproximada sinonímia, nas expressões influência, controle,autoridade, liderança, comando. Prevalece, todavia, nos estudosrecentes, apenas o parentesco entre os dois primeiros termos —13poder e influência —, reservadas as outras categorias parafenômenos específicos, embora conexos ao conceito básico, queé o poder.

Idem, ibidem.

Julgue os itens seguintes, referentes à conceituação de poder expressa no texto II.

  1. 26.

    Na linha 9, “se emprega” equivale, segundo análise tradicional, a é empregado e tem como sujeito (elíptico) “O próprio termo poder” (l.7).

  2. 27.

    A conceituação de “poder” permanece a mesma e está expressa de acordo com as normas da escrita padrão, se reescrita do seguinte modo: O conceito fundamental da física é a energia, assim como o poder é o conceito fundamental da ciência social.

  3. 28.

    O pronome “lhe” (l.6) refere-se a “(d)o fato poder” (l.5).

  4. 29.

    Em discurso indireto, o trecho “O conceito (...) Russel” (l. 1-4) permanecerá correto, de acordo com a escrita padrão, e manterá as idéias da redação original se for reescrito da seguinte forma: Em livro hoje clássico, o filósofo inglês Bertrand Russel afirmou que o conceito fundamental da ciência social seria o poder, no mesmo sentido que a energia foi o conceito fundamental da física.

  5. 30.

    O bom entendimento do emprego do conectivo “nem” (l.5) sugere que esse vocábulo pode ser substituído, nesse contexto, por e não.

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